Manutenção e Adequação das Cercas do Campus “Luiz de Queiroz” para a Restrição do Acesso de Capivaras às Áreas de Uso Humano

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Na natureza, algumas espécies silvestres se beneficiam com as ações antrópicas. Uma destas é a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), que encontra no Campus “Luiz de Queiroz” e no seu entorno condições favoráveis para seu aumento populacional, sendo beneficiada principalmente pela ausência de predadores, variada e abundante disponibilidade de alimentos e conectividade de lugares de esconderijo com corpos de água por todo o campus.

capivaraÉ crucial para a administração do campus a redução desses ácaros vetores. Entre os métodos que podem auxiliar neste processo está a redução da presença de seus principais hospedeiros primários em áreas de
circulação humana frequente. Há que se considerar no entanto que os animais silvestres tem seus espaços garantidos por Lei, hoje
concentrados nos remanescentes florestais que compõe as Áreas de Preservação Permanente (APPs).

 

Isolando as áreas de presença humana das APPs, o Campus “Luiz de Queiroz” implantou há mais de dez anos uma cerca para reduzir a circulação de capivaras e consequentemente a disseminação dos carrapatos como forma de mitigar a transmissão da FMB. Esta cerca, com mais de 22 km de extensão, tem sido considerada de fundamental importância para manter a saúde dos usuários do campus. No entanto, ao longo do tempo, devido a fatores climáticos, diversos setores desta foram danificados, necessitando de manutenção e adequação para manter sua eficiência. Esta é a proposta principal do presente projeto. Tendo em vista as recomendações feitas e retiradas do Workshop realizado em outubro de 2012, por mais de uma dezena de especialistas na problemática, o presente projeto tem também como proposta comprovar a eficiência real deste mecanismo de contenção, assim como somar a outras iniciativas de avaliação de possíveis impactos causados pela presença da cerca na fauna nativa local, com o objetivo de minimizá-los.

Durante todo o projeto, será feito através de três estratégias: a) preventiva; b) emergencial; c) estrutural.

As atividades a serem conduzidas envolverão basicamente a reparação das cercas danificadas, que será feita inicialmente em um procedimento emergencial, sendo este seguido por um procedimento permanente, a médio/ longo prazos, nos pontos considerados mais críticos (visitação mais frequente das capivaras).

A eficiência das ações emergenciais e a determinação dos pontos mais críticos será assegurada pela ação diária do pessoal dedicando-se especificamente a este trabalho, inclusive durante períodos do dia de maior atividade das capivaras.

Para que a administração do campus “Luiz de Queiroz” não corra o risco de ser responsabilizada caso um visitante, estudante ou funcionário se infecte com a bactéria da FMB ou venha a falecer em decorrência desta enfermidade, faz-se necessário proteger e reduzir as chances de que as áreas de visitação ou de atividade profissional ou didática sejam visitadas ou ocupadas principalmente por hospedeiros primários do carrapato-estrela. Neste sentido, é fundamental manter as cercas em condições adequadas, dentro de princípios e técnicas ecologicamente aceitáveis.

De acordo com o Código Civil, a obrigação de reparar o dano não se limita às condutas da própria pessoa afetada, mas inclui a responsabilidade de terceiros.

Os trabalhos serão coordenados pelo Eng. Agrônomo Paulo Bezerra, Presidente do Núcleo de Pesquisa e Conservação da Fauna e Flora Silvestre (NPC), através de visitas mensais a ser realizadas ao campus, cada uma com duração média de 1–2 dias. O trabalho de campo será realizado por dois técnicos agrícolas em regime integral e um técnico agrícola em regime parcial. Todo o pessoal envolvido será fornecido pelo NPC, não tendo estes nenhum vínculo empregatício com a ESALQ, embora atuando em seu Campus e aí residindo temporariamente. A administração do campus entende que os técnicos são funcionários da NPC, ou a esta prestam serviços de acordo com a legislação trabalhista vigente. Prevê-se que o projeto seja conduzido durante cinco anos.

Do ponto de vista Acadêmico

A ESALQ é um centro de excelência na formação de engenheiros agrônomos e florestais, entre outras, profissões estas que utilizam o campo como ambiente de trabalho. A utilização integral do campus da ”Luiz de Queiroz” se faz necessária tanto para o ensino como para a condução de pesquisas, um vez que usualmente cerca de 50 % das aulas são práticas. A ESALQ conta no seu campus com 2.193 alunos de graduação nos seus nove cursos, 1.193 alunos de pós-graduação nos seus treze programas, 246 docentes, distribuídos em 12 Departamentos e 150 laboratórios. Tem ainda 546 servidores técnicos administrativos, dos quais muitos atuam em tempo praticamente integral no campo. A população diária circulante no Campus é estimada em 4.178 pessoas, que podem ter contatos com carrapatos contaminados em uma área endêmica da bactéria causadora da FMB. A exposição destas pessoas às capivaras e a carrapatos infectados representa um importante risco que deve ser mitigado.

Do ponto de vista ambiental

As medidas de adequação ambiental preconizadas pelo IBAMA compreenderam a recuperação da mata ciliar e a instalação de alambrados ao longo dos cursos de água visando limitar o acesso de capivaras a espaços de intenso uso humano, que resultou a partir de 2006 em redução significativa da infestação por carrapatos (Perez, 2013). Essa solução, no entanto, depende de atividades permanentes de verificação periódica do estado dessas barreiras, da realização de consertos quando ocorre queda de árvores ou danos de outras ordens.

Adicionalmente, a presença de capivaras nas áreas de exploração agrícola e zootécnica tem provocado sérios prejuízos às atividades de pesquisa, comprometendo as atividades de profissionais e alunos de graduação e pós-graduação. Isto tem interferido no cronograma das atividades de pesquisa e também levado ao questionamento de órgãos de financiamento de pesquisa (FAPESP) sobre a falta de cuidado por parte dos beneficiários de projetos financiados (como ressaltado na avaliação institucional da ESALQ em 2015).

Do ponto de vista de Saúde Pública

A FMB é uma doença bacteriana facilmente tratada com os antibióticos tetraciclina e cloranfenicol, desde que prescritos no início do quadro clínico. Porém, o quadro clinico desta enfermidade se assemelha aos de várias outras enfermidades, como a gripe, por exemplo, dificultando sua detecção. Entre 2007 e 2015, foram confirmados quarenta e quatro casos de FMB em Piracicaba (CVE, 2016).

Por não existirem vacinas e recomendações do uso de profilaxia antimicrobiana pós exposição a carrapatos, a prevenção se fundamenta em medidas educativas sobre proteção e interrupção precoce do parasitismo, controle da população vetorial em animais hospedeiros e no ambiente e manejo ambiental de áreas de risco (Perez et. al., 2006). A ocorrência da FMB está diretamente condicionada ao aumento populacional de seu vetor, os carrapatos. Dessa forma, como medida mais eficaz para prevenção da FMB teríamos a manutenção da população de seu principal vetor (Amblyomma sculptum) em níveis reduzidos (Labruna, 2013).

Áreas de atuação

Area prioritária para atuação no primeiro ano do projeto (pontilhada em branco).

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